. Em 1985, incentivados por Herbert de Souza, o Betinho, eu e Bernardo Pelegrini percorremos o interior de Minas Gerais para investigar a história (que gerava uma cascata de denúncias no Congresso Nacional) de que havia um projeto em curso de desnacionalização do cerrado mineiro.. Desta viagem, nasceu o livro-reportagem “Cerrados - Uma invasão japonesa no campo”, editado pela Codecri, editora que na época publicava o antológico jornal “O Pasquim”.
. O livro vendeu bem, teve duas edições, cumpriu sua função.
. Agora, eu e o Bernardo acreditávamos que o seu ciclo de vida já estava encerrado há muito. Tanto que nem eu nem ele temos sequer um exemplar do livro!
. Por isso foi uma surpresa, em 2007, quando recebi um jamais imaginado telefonema do Celso Mizumoto, do Grupo Caramuru de São Paulo, um dos coordenadores do “Comitê 100 Anos de Imigração Japão Brasil”.
. Com financiamento do Fundo Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura, o Comitê estava preparando a edição de um livro sobre a presença japonesa no Brasil. “Mas não queríamos fazer nada repetitivo. Então decidimos focar o livro na importância dos japoneses no processo de ocupação do cerrado brasileiro, que está em curso até hoje”, relatou Celso.
. E foi durante o levantamento do material sobre a ocupação do cerrado que a equipe que trabalhava com ele descobriu o nosso livro, numa estante da biblioteca da UFG (Universidade Federal de Goiás). “O livro de vocês é o único documento que nós encontramos relatando o que aconteceu naquele tempo naquela região”, disse Celso, para minha surpresa.
. Ele nos pediu que fizéssemos um resumo e contextualizássemos o nosso material para fazer parte do livro que o Comitê estava preparando.
. O livro editado pelo Comitê foi lançado este ano com o título “O Cerrado e o seu Brilho”. Tem 430 páginas, escritas por mais cinco autores além de mim e do Bernardo. É um estudo extremamente importante não só sobre a presença japonesa, mas sobre todo o processo de ocupação do cerrado.
. “O Cerrado e o seu Brilho” adquiriu uma nova dimensão a partir de setembro de 2009, depois que o Ministério do Meio Ambiente anunciou a criação do Plano Nacional de Combate ao Desmatamento do Cerrado, monitorado por satélites, semelhante ao que já existe desde 2004 para a floresta amazônica.
. O plano desperta uma nova corrida por informações sobre a ocupação do cerrado brasileiro e, desde já, “O Cerrado e o seu Brilho” é uma referência indispensável para se compreender este processo.
. O texto que está abaixo é o capítulo de nossa autoria que integra “O Cerrado e o seu Brilho”.
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